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Estudo revela que 8% da riqueza mundial está em paraísos fiscais

Ao menos US$ 7,6 trilhões - 8% da riqueza mundial - estão em contas de particulares em paraísos fiscais

A Lenda oriental

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Ativo Intangível: Mensuração e Reconhecimento

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quinta-feira, 27 de abril de 2017

Contas do governo têm maior rombo para março e 1º trimestre em 21 anos


De janeiro a março, déficit primário nas contas do governo atingiu R$ 18,29 bilhões, informou nesta quinta-feira a Secretaria do Tesouro Nacional.

As contas do governo federal registraram rombo recorde no mês de março e no primeiro trimestre deste ano, segundo números divulgados pela Secretaria do Tesouro Nacional nesta quinta-feira (27).

Somente em março, as despesas do governo superaram as receitas com impostos em R$ 11,06 bilhões - o pior resultado para o mês desde o início da série histórica, em 1997. De janeiro a março, o chamado déficit primário totalizou R$ 18,29 bilhões, também o pior para o período em 21 anos.
Essas contas não levam em consideração os gastos do governo federal com o pagamento dos juros das dívida pública.
O fraco resultado das contas públicas acontece em um ambiente ainda de baixo nível de atividade, que tem resultado em queda da arrecadação.
Embora apareçam alguns sinais de melhora do ritmo da economia, como alta da confiança e da produção industrial, o desemprego ainda segue alto, o que impõe uma velocidade menor ao ritmo de recuperação.

Receitas e despesas

De acordo com a Secretaria do Tesouro Nacional, as receitas totais recuaram 3,2% em termos reais (após o abatimento da inflação) no primeiro trimestre, na comparação com igual período de 2016, para R$ 334,43 bilhões.
Por outro lado, as despesas totais recuaram de forma mais intensa nesta comparação: somaram R$ 293,76 bilhões no primeiro trimestre de 2017, com queda de 4,9% em termos reais quando comparadas ao mesmo período de 2016.

Rombo da Previdência Social

A Secretaria do Tesouro Nacional informou que o rombo da Previdência Social (sistema público que atende aos trabalhadores do setor privado) avançou de R$ 28,98 bilhões, no primeiro trimestre de 2016, para R$ 40 bilhões nos três primeiros meses deste ano, um aumento de 38,1%.
Para 2017, a expectativa do governo é de que o INSS registre novo resultado negativo, de R$ 188,8 bilhões.
O Congresso discute proposta do governo Michel Temer para reforma da Previdência. De acordo com o governo, o objetivo da medida é frear o crescimento do déficit do INSS.
A proposta original previa idade mínima de aposentadoria de 65 anos, para homens e mulheres, entre outras mudanças. Entretanto, o relator do reforma na Câmara, deputador Arthur Maia (PPS-BA), apresentou um novo texto, com regras menos rígidas.
O objetivo do governo é tentar manter a sustentabilidade das contas públicas, diante de um déficit crescente do sistema previdenciário brasileiro.

Concessões e investimentos

Nos três primeiros meses deste ano, ainda de acordo com os dados oficiais, as receitas com concessões registraram forte queda, para R$ 560 milhões, contra R$ 11,63 bilhões no mesmo período do ano passado.
Por outro lado, houve um pequeno aumento no recebimento de dividendos, que totalizaram R$ 1,77 bilhão nos três primeiros meses deste ano, em comparação com R$ 392 milhões no mesmo período de 2016.
Os dados oficiais mostram que o governo também diminuiu fortemente o pagamento de investimentos de janeiro a março deste ano, para R$ 5,75 bilhões. No mesmo período de 2016, os gastos com investimentos somaram R$ 14,14 bilhões.

Meta fiscal e medidas de ajuste

A meta fiscal do governo federal para este ano é de déficit primário (despesas maiores do que receitas, sem contar os juros da dívida pública) de até R$ 139 bilhões. Neste começo de 2017, as receitas com impostos foram menores que as previstas, o que levou a equipe econômica a anunciar, no mês passado, uma série de medidas para tentar atingir a meta. São elas:
  • Bloqueio de R$ 42,1 bilhões em gastos públicos
  • Receita extra com o aumento da tributação sobre a folha de pagamento: R$ 4,8 bilhões
  • Receitas extras com relicitação de 4 hidrelétricas: R$ 10,1 bilhões
  • Receita extra com a equiparação da alíquota de IOF de cooperativas de crédito, com a cobrada de bancos: R$ 1,2 bilhão
No ano passado, o rombo fiscal somou R$ 154,2 bilhões, o maior em 20 anos. Em 2015, o déficit fiscal totalizou R$ 115 bilhões. A consequência de as contas públicas registrarem déficits fiscais seguidos é a piora da dívida pública e mais pressões inflacionárias.
Os analistas das instituições financeiras, porém, preveem que a meta fiscal não será cumprida em 2017. Estimativa do mercado feita em janeiro, e divulgada recentemente, aponta para um rombo de R$ 147 bilhões nas contas do governo neste ano, acima da meta fiscal.

 

terça-feira, 21 de março de 2017

Petrobras fecha 2016 com prejuízo de R$ 14,8 bilhões


Foi o 3º ano consecutivo de resultados negativos. No 4º trimestre do ano passado, porém, empresa teve lucro de R$ 2,5 bilhões.


A Petrobras teve prejuízo líquido de R$ 14,824 bilhões em 2016, informou a estatal nesta terça-feira (21). Foi 3º ano consecutivo de resultados negativos. Em 2015, a estatal registrou prejuízo recorde de R$ 34,8 bilhões. Em 2014, as perdas somaram R$ 21,6 bilhões.
Em comunicado, a Petrobras atribuiu o novo prejuízo "em função, principalmente, do impairment" (reavaliação de ativos da companhia e de investimentos), no valor total de R$ 20,89 bilhões. Na prática, a estatal reconheceu que seus ativos valem menos e lançou isso nos seu balanços financeiros. Somente no 3º trimestre, a empresa lançou perdas de R$ 15,7 bilhões. 

O destaque positivo ficou por conta da redução do endividamento. No final de 2016, a dívida líquida da Petrobras somou R$ 314,12 bilhões, o que representa uma queda de 20% ante os R$ 392 bilhões no final de 2015. Em dólares, o endividamento líquido recuou 4%, passando de US$ 100,4 bilhões para US$ 96,38 bilhões.
"A empresa ainda tem uma dívida importante e nosso trabalho precisa continuar para reduzirmos a nossa dívida a patamares razoáveis", disse Pedro Parente, presidente da empresa, em coletiva de imprensa após a divulgação do balanço. "Ainda é a maior dívida relevante de todas as companhias de óleo e gas do mundo. Se você pegar todos os estados da federação, excluindo São Paulo, a nossa dívida é maior. Nós não podemos descuidar dessa nossa dívida." 

Com mais um resultado negativo, esse deve ser também o terceiro ano seguido em que a Petrobras não paga dividendos aos seus acionistas. “Com relação ao fato de que não vamos pagar dividendos, embora seja o desejo da empresa de faze-lo o mais rápido possível, não tivemos resultado positivo para tanto", disse Parente.
“Acho que a trajetória de fluxo de caixa positivo e constante permanece. Com relação ao resultado, a gente tem que esperar o decorrer do ano. A gente não faz previsão de resultado", complementou Ivan Monteiro, direotr financeiro da empresa. 

Lucro no 4º trimestre

No 4º trimestre do ano passado, empresa teve lucro de R$ 2,5 bilhões, após ter registrado prejuízo de R$ 16,4 bilhões no 3º trimestre, revertendo também as perdas R$ 36,9 bilhões do 4º trimestre de 2015. No 2º trimestre, teve lucro líquido de R$ 370 milhões e, no 1º trimestre, prejuízo de R$ 1,2 bilhão.
O resultado dos 3 últimos meses do ano passado, no entanto, veio abaixo do esperado pelo mercado. A previsão média de analistas consultados pela Reuters era de lucro de R$ 3,7 bilhões.
A empresa disse que o lucro no último trimestre foi puxado, entre outros fatores, pelo aumento de 12% das exportações, além da redução nas despesas financeiras, gerais e administrativas. Houve ainda ganhos de R$ 2,9 bilhões com a venda da participação da Petrobras no bloco exploratório BM-S-8 (Carcará).
"Com a maior geração operacional e a redução de investimentos em 32%, a empresa alcançou um fluxo de caixa livre de R$ 41,57 bilhões", informou a Petrobras, acrescentando que o 4º trimestre foi o sétimo trimestre consecutivo de fluxo de caixa livre positivo.

Receita e investimentos recuam

Em 2016, a receita líquida somou R$ 282,58 bilhões, o que corresponde a uma queda de 12% na comparação com 2015. A maior queda em volume total de vendas foi de óleo combustível, com recuo de 36%. As vendas da gasolina tiveram redução de 1% e de diesel, de 15%.
Os investimentos totais também caíram. Entre 2015 e 2016, foram de R$ 76 bilhões para R$ 55 bilhões, um recuo de 27%.
A estatal informou que houve uma redução de 12% do número de empregados da companhia na comparação com 2015, após um Plano de Incentivo ao Desligamento Voluntário. A Petrobras fechou 2016 com 68.829 funcionários. Parente afirmou nesta terça que a empresa não tem planos de novas reduções do quadro. "É claro que esperamos voltar a um cenário normal, e voltar a contratar", comentou Parente.
O EBITDA, referência utilizada pelo mercado financeiro como uma aproximação da geração de caixa, foi de R$ 24,8 bilhões no 4º trimestre e de R$ 88,7 bilhões em 2016, 16% superior ao ano anterior.

Produção

A produção média de petróleo da Petrobras no Brasil atingiu em 2016 recorde histórico anual, alcançando 2.144.256 barris por dia (bpd), um aumento de 0,75% ante o ano anterior.
A diretora da Exploração e Produção, Solange Guedes, afirmou que, para 2017, a previsão é de aumento da produção com três sistemas definitivos que começarão a operar: Lula Sul, Tartaruga Verde e Mestiça e Lula Norte. “Nós da companhia estamos muito orgulhos e felizes, principalmente pela Lula Sul, a primeira que iremos operar na camada pré-sal no Campo de Lula”, disse. 

Crise e plano de venda de ativos

Em meio à crise detonada pela Lava Jato e pela queda dos preços internacionais do petróleo, o endividamento líquido da Petrobras passou de um patamar de R$ 100 bilhões no final de 2011 para R$ 392 bilhões no final de 2015.
Para melhorar suas finanças, a estatal anunciou em setembro um corte de 25% nos investimentos previstos para os próximos 5 anos, além de um plano de venda de ativos.
O diretor financeiro da companhia, Ivan Monteiro, destacou nesta terça-feira que o programa de parcerias e desinvestimentos atingiu 90% da meta da empresa, e o valor total de transações já assinadas somou US$ 13,6 bilhões.
O plano de negócios da Petrobras prevê arrecadar mais US$ 21 bilhões com a venda de ativos (os chamados desinvestimentos) e parcerias entre 2017 e 2018.
No dia 15, o Tribunal de Contas da União (TCU) liberou a Petrobras a retomar a venda de ativos. Entretanto, o TCU determinou que a estatal reinicie todos os processos de venda para que eles sigam um novo conjunto de regras, de forma a garantir mais transparência e maior concorrência. 

Petróleo em baixa e política de preços

Ao ser questionado sobre a expectativa de aumento no preço do barril do petróleo, Parente enfatizou que o plano estratégico da companhia considera vários cenários. “O que nós podemos dizer é que nosso plano está dentro daquilo que prevíamos e não trabalha com um cenário determinístico, mas inclusive com um cenário de estresse", disse.
Ao ser questionado sobre a política de preços da Petrobras, Parente ressaltou que não haverá revisão. A empresa adotou uma política de revisão de preços pelos menos uma vez a cada 30 dias. 

Parente enfatizou que a companhia considera, dentre diversas variáveis para estabelecer seus preços, o valor do petróleo no mercado mundial, a taxa de câmbio e, principalmente, a participação no mercado. “Se nós temos uma situação onde os mercados apontam redução de preços e nós insistimos em manter preços elevados nós podemos perder marketing share [participação no mercado] e isso não nos interessa”. 





quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Prévia' do PIB do Banco Central aponta que economia encolheu 4,3% em 2016


Se confirmado resultado, esse será o segundo ano seguido de retração da economia brasileira, que atravessa período de recessão.

O Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), divulgado pelo Banco Central nesta quinta-feira (16) e que é considerado uma "prévia" do resultado do Produto Interno Bruto (PIB), aponta que a economia brasileira encolheu 4,34% em 2016.
Foi o segundo ano seguido de retração da atividade econômica e, se confirmada, a queda do PIB em 2016 será a maior desde 1990, quando atingiu -4,35%. O resultado oficial do PIB só será divulgado em 7 de março pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O índice de 4,34% do IBC-Br é resultado da comparação entre os anos de 2016 e 2015 sem ajuste sazonal, pois considera períodos iguais (ano contra ano). Essa comparação é avaliada como mais apropriada por economistas. Com ajuste sazonal, o recuo do PIB no ano passado, apurado pelo BC, foi de 4,55%.

O que é o PIB

O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir a evolução da economia. O resultado negativo do ano passado é reflexo da crise econômica, do aumento do desemprego e da taxa de inadimplência.
Em 2015, a economia brasileira já havia registrado encolhimento, de 3,8%. Já em 2014, houve um crescimento de 0,5% no Produto Interno Bruto (PIB).
Para tentar reaquecer a economia, o governo Michel Temer tem anunciado medidas como a liberação de saques das contas inativas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). O Banco Central também vem reduzindo a taxa Selic, o que deve se traduzir em queda dos juros dos empréstimos bancários.
O resultado da "prévia do PIB" anunciado nesta quinta é pior do que esperado pelo mercado financeiro. Na pesquisa mais recente feita pelo BC, com as opiniões colhidas na semana passada, os analistas dos bancos previram um tombo de 3,5% para o PIB em 2016, na comparação com 2015.

Contração no fim do ano

Os dados do Banco Central também apontam que a economia brasileira terminou o ano de 2016 com queda. Foi registrada contração tanto em dezembro quanto no quarto trimestre do ano passado.
O IBC-Br mensal, após o ajuste sazonal (considerado mais apropriado para esta comparação), registrou recuo de 0,26% em dezembro.
Já no último trimestre de 2016, segundo indica a "prévia do PIB" do Banco Central, houve uma contração de 0,37%. Os números revisados indicam uma queda de 1,64% no primeiro trimestre do último ano, uma retração de 0,43% no segundo trimestre e uma alta de 0,38% no terceiro trimestre.

IBC-Br x PIB

Embora o cálculo seja um pouco diferente, o IBC-Br foi criado para tentar ser um "antecedente" do PIB. O índice do BC incorpora estimativas para a agropecuária, a indústria e o setor de serviços, além dos impostos.
Os resultados do IBC-Br, porém, nem sempre mostraram proximidade com os dados oficiais do PIB, divulgados pelo IBGE. O Banco Central já informou anteriormente que o IBC-Br não seria uma medida do PIB, mesmo que tenha sido criado para tentar antecipar o resultado, mas apenas "um indicador útil" para o BC e para o setor privado.
Recentemente, o BC atualizou a metodologia de cálculo, incorporando novos indicadores, com destaque para a utilização da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) em substituição à Pesquisa Mensal de Emprego (PME), além de outras mudanças.

Definição dos juros

O IBC-Br é uma das ferramentas usadas pelo BC para definir a taxa básica de juros (Selic) do país. Com o menor crescimento da economia, por exemplo, teoricamente haveria menos pressão inflacionária. Atualmente, os juros básicos estão em 13% ao ano.
Pelo sistema que vigora no Brasil, o BC precisa ajustar os juros para atingir as metas preestabelecidas de inflação. Quanto maiores as taxas, menos pessoas e empresas ficam dispostas a consumir, o que tende a fazer com que os preços baixem ou fiquem estáveis.
Para 2017, a meta central de inflação é de 4,5%, com um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Desse modo, o IPCA, considerado a inflação oficial do país e medida pelo IBGE, pode ficar entre 3% e 6%, sem que a meta seja formalmente descumprida.
Neste ano, o mercado financeiro acredita que a inflação oficial ficará abaixo da meta central de 4,5% - algo que não acontece desde 2009. O Banco Central tem dito que mira no centro da meta de inflação de 4,5% nos anos de 2017 e de 2018.

 

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Mercado prevê inflação no centro da meta em 2017


Expectativa dos analistas de mercado para o IPCA deste ano recuou de 4,64% para 4,47% na semana passada; desde 2009 o índice não fica no centro da meta, que atualmente é de 4,5%.

 

Os economistas do mercado financeiro baixaram sua estimativa de inflação para este ano, com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), de 4,64% para 4,47% na semana passada.
As expectativas dos analistas do mercado financeiro foram coletadas pelo Banco Central na semana passada e divulgadas nesta segunda-feira (13) por meio do relatório de mercado, também conhecido como Focus. Mais de cem instituições financeiras foram ouvidas.
Com isso, o mercado financeiro passou a estimar que a inflação ficará abaixo da meta central de inflação deste ano, fixada em 4,5% pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), e que o objetivo central será atingido. A última vez que o mercado havia estimado que a meta central de inflação deste ano seria atingida foi em outubro de 2013, quando os economistas estimaram um IPCA de 4,50% para 2017.
A meta central de inflação não é atingida no Brasil desde 2009. Naquele momento, o país ainda sentia os efeitos da crise financeira internacional de forma mais intensa, que acabou se espalhando pelo mundo. A piora da crise financeira veio após o anúncio de concordata do banco norte-americano Lehman Brothers, em setembro de 2008.
Pelo sistema de metas de inflação vigente, a meta não pode ser considerada formalmente descumprida quando o IPCA fica dentro do intervalo de tolerância - que, para 2017, é de 1,5 ponto percentual. Neste caso, a inflação pode oscilar entre 3% e 6%. A inflação já havia ficado dentro do intervalo no ano passado - após ter sido descumprida em 2015 ao superar a barreira dos 10%.
A previsão de que a meta central será atingida neste ano está relacionada com o baixo nível de atividade. O Brasil passa por um período de forte recessão, embora indicadores comecem a apontar para uma melhora do nível de atividade nos últimos meses. Mesmo assim, o desemprego e a inadimplência permanecem altas.
Com a economia fraca, a inflação está bem comportada. Na semana passada, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o IPCA ficou em 0,38% no primeiro mês de 2017 - o mais baixo para janeiro da série histórica, que teve início em dezembro de 1979. No mesmo mês de 2016, o IPCA havia atingido 1,27%.
Para 2018, a previsão do mercado financeiro para a inflação permaneceu estável em 4,50%. O índice está em linha com a meta de inflação do período (4,5%) e também abaixo do teto de 6% para o ano que vem.

Produto Interno Bruto

Para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2017, o mercado financeiro baixou a previsão de um crescimento de 0,49% - expectativa da semana anterior - para uma alta menor: de 0,48%.
O governo estima uma alta de 1%, mas o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, já confirmou que deverá revisar este número para baixo.
O PIB é a soma de todos os bens e serviços feitos no país, independentemente da nacionalidade de quem os produz, e serve para medir o comportamento da economia brasileira.
Em 2015, houve uma contração de 3,8%, a maior em 25 anos. O resultado de 2016 ainda não foi divulgado pelo IBGE, mas a previsão do mercado é de um "tombo" próximo de 3,5%. Essa será a primeira vez que o país registra dois anos seguidos de retração no nível de atividade da economia – a série histórica oficial, do IBGE, tem início em 1948.
Para 2018, os economistas das instituições financeiras, porém, subiram de 2,25% para 2,30% sua estimativa de expansão do PIB.

Taxa de juros

O mercado financeiro manteve sua previsão para a taxa básica de juros da economia, a Selic, em 9,50% ao ano no fechamento de 2017. Atualmente, os juros estão em 13% ao ano.
Para o fechamento de 2018, a estimativa os economistas dos bancos para taxa Selic continuou 9% ao ano. Com isso, estimaram que o processo de corte dos juros terá continuidade no ano que vem.
A taxa básica de juros é o principal instrumento do BC para tentar conter pressões inflacionárias. A instituição tem de calibrar os juros para atingir índices pré-determinados pelo sistema de metas de inflação brasileiro.
As taxas mais altas tendem a reduzir o consumo e o crédito, o que pode contribuir para o controle dos preços. Quando julga que a inflação está compatível com as metas preestabelecidas, o BC pode baixar os juros.

Câmbio, balança e investimentos

Na edição desta semana do relatório Focus, a projeção do mercado financeiro para a taxa de câmbio no fim de 2017 recuou de R$ 3,40 para R$ 3,36. Para o fechamento de 2018, a previsão dos economistas para o dólar caiu de R$ 3,50 para R$ 3,49.
A projeção do relatório Focus para o resultado da balança comercial (resultado do total de exportações menos as importações) em 2017 subiu de US$ 46,5 bilhões para US$ 47,2 bilhões de resultado positivo. Para o próximo ano, a estimativa dos especialistas do mercado para o superávit recuou de US$ 40,5 bilhões para US$ 40,2 bilhões.
A projeção do relatório para a entrada de investimentos estrangeiros diretos no Brasil em 2017 permaneceu inalterada, em US$ 70 bilhões. Para 2018, a estimativa dos analistas ficou estável em US$ 71,9 bilhões.

 

sábado, 11 de fevereiro de 2017

Reajustes salariais abaixo da inflação têm maior patamar desde 2008, diz pesquisa


Em 2016, 47,6% das negociações resultaram em reajuste abaixo da inflação ante 26% em 2015. Com desaceleração da inflação, expectativa é de melhora discreta em 2017.

O ano de 2016 foi o pior dos últimos 9 anos para os reajustes salariais, segundo o Salariômeto, projeto da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), a partir de dados do Ministério do Trabalho. Em meio à recessão e ao aumento do desemprego, quase metade (47,6%) das mais de 19 mil negociações salariais das diversas categorias de trabalhadores resultaram em reajustes abaixo da inflação, o maior percentual anual já registrado pelo levantamento, que tem início em 2008.
Trata-se de uma reversão de uma tendência que vinha nos anos em que a economia brasileira ia bem e o país tinha pleno emprego. Até 2014, a grande maioria das categorias conseguia aumentos salariais acima da inflação. Em 2014, quando o pais ainda vivia uma situação de quase pleno emprego, apenas 4,3% das categorias fecharam aumentos abaixo da inflação, segundo a pesquisa da Fipe.
O percentual de reajustes salariais abaixo da inflação no mercado formal em 2016 foi quase o dobro do registrado em 2015, quando 26% das negociações resultaram em aumentos de salários abaixo da inflação medida pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) – indicador usado como principal referência para aos reajustes salariais.
Menos de um terço (29,9%) das negociações fechadas no ano passado ficaram acima do INPC, ou seja, garantiram aumento real, e 22,5% ficaram iguais, repondo a inflação acumulada em 12 meses até a data-base de cada categoria. Veja gráfico abaixo
Segundo o diretor técnico do Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos), Clemente Ganz Lúcio, o desempenho das negociações salariais retornou para patamares do começo dos anos 2000. Pela série do Dieese, que utiliza outra metodologia e ainda não fechou o balanço de 2016, o pior ano foi 2003, quando 58,4% das negociações salariais não tiveram reposição integral da inflação.

Perspectivas para 2017

Para o economista e coordenador do Salariômetro, Hélio Zylberstajn, ainda que a atual desaceleração da inflação e a esperada recuperação da atividade econômica possam dar algum alívio em 2017, as expectativas são de melhora apenas discreta nas negociações salariais.
"Vai ser uma recuperação muito lenta, então o poder de barganha dos trabalhadores vai continuar muito debilitado. Eu diria que o ano de 2017 não deve ser tão ruim como 2016 nas negociações coletivas, mas não vão ser uma maravilha uma vez que o mercado de trabalho ainda está muito fraco", afirma.
A taxa de desemprego alcançou 12% do 4º trimestre de 2016 – marca recorde na série histórica iniciada em 2012. No ano passado, o Brasil perdeu mais 1,32 milhão de empregos formais (em 2015, já tinham sido eliminados 1,54 milhão de empregos com carteira assinada).
Atualmente, são 12,3 milhões de brasileiros desempregados. Na visão dos analistas de mercado, a taxa de desemprego ainda deverá subir mais antes de começar a cair, se estabilizando apenas a partir do 3º trimestre do ano. 

"Apesar da expectativa de retomada da atividade, o mercado de trabalho continuará fraco, dado que reage de forma defasada. Ou seja, o cenário continua não propício para renegociações ao trabalhador, dada a elevada ociosidade do fator trabalho na economia", avalia o economista Luiz Fernando Castelli, da consultoria GO Associados.
Na visão dos analistas de mercado, a tendência é que grande parte dos reajustes salariais fique novamente abaixo ou, no máximo, igual a inflação acumulada em 12 meses.
“É difícil pensar numa rápida reversão dessa trajetória negativa diante de um mercado de trabalho ainda em deterioração", afirma Thiago Xavier, analista da consultoria Tendências. “A gente ainda vê uma grande ociosidade do mercado de trabalho, a taxa de desocupação está no maior nível já registrado, e isso diminui o poder de negociação dos trabalhadores”.

Negociações por categorias

No ano passado, até mesmo categorias com sindicatos fortes e com histórico de correção salarial acima da inflação não conseguiram repor a inflação. No caso dos bancários, após uma greve de 31 dias, eles aceitaram em outubro a proposta de reajuste de 8%. Em 12 meses até outubro, o INPC alcançou 8,5%.
Já a negociação dos petroleiros virou o ano sem acordo e foi finalizada somente em janeiro. A categoria aceitou um reajuste de 8,57%, retroativos a setembro de 2016. No acumulado em 12 meses até setembro, a inflação medida pelo INPC ficou em 9,15%.
Dos 51 ramos de atividade monitorados pelo Salariômetro, em apenas 13 a mediana dos reajustes salariais não ficou abaixo da inflação. Entre as poucas categorias em que a maioria das negociações resultaram em ganho real em 2016 estão os bancos e serviços financeiros, confecções e vestuário, e cemitérios e agências funerárias. Veja quadro abaixo

"As empresas não têm muita margem para oferecer, os trabalhadores sabem que eles também não têm muita alternativa, então é um momento muito crítico e dramático", avalia o diretor técnico do Dieese. "No atual cenário, com recessão e aumento do desemprego e fechamento de empresas, a pressão por assinar um acordo abaixo daquilo que normalmente se aceitaria aumenta muito".
O piso mediano negociado em 2016 nos acordos e convenções coletivas ficou em R$ 1.062, valor 21% maior que o salário mínimo vigente no ano passado, segundo a pesquisa. O maior piso salarial médio foi registrado no Paraná (R$ 1.179), seguido por São Paulo (R$ 1.170) e Santa Catarina (R$ 1.153). Os mais baixos foram apurados no Rio Grande do Norte (R$ 906) e Acre (R$ 920).
Segundo Lúcio, reposições de vagas via contratações pelo valor do piso são um dos principais mecanismos de redução de custo. "No mercado de trabalho brasileiro, o ajuste estrutural se dá pelo emprego e pela rotatividade, diferente de outras economias no qual as negociações são muito mais centralizadas e há também uma certa garantia de emprego. Então, a tendência é todo mundo ser contratado pelo piso da categoria", explica.

Redução de jornada e de salário

Ainda segundo o Salariômetro, em 2016 foram registrados 353 acordos de redução de jornada e de salário, dos quais 118 (33,4%) utilizaram o Programa de Proteção ao Emprego (PPE), criado pelo Governo Federal, para socorrer empresas e evitar demissões. Em 2015, foram 284 acordos com redução, sendo que 48 (16,9%) usaram PPE.
Nas empresas que aderem ao PPE, o trabalhador tem a jornada e o salário reduzidos em 30%. Entretanto, o governo paga um complemento, que corresponde à metade da perda salarial do empregado. Na prática, portanto, o trabalhador tem o salário reduzido em 15%.
Até mesmo o salário mínimo ficou sem ganho real pela primeira vez desde 2003. Em 1º de janeiro, o mínimo foi reajustado em 6,48%, e passou de R$ 880 para R$ 937. Considerando a variação de 6,58% do INPC em 2016, houve perda de 0,1% no ano. Caso o índice tivesse sido aplicado integralmente, o valor teria ficado em R$ 938, segundo o Dieese. Desde 2003, entretanto, o salário mínimo acumulou um ganho real de 77,01%, favorecido por uma política de valorização do piso nacional que garante, além do repasse da inflação, aumento real pela variação do PIB.

Renda e massa salarial em queda

Segundo o Dieese, na média anual de 2016, o rendimento médio do trabalhador com carteira assinada do setor privado caiu 2,3%, de de R$ 2.076 para R$ 2.029. Já a massa de rendimentos teve queda de 3,5%, de R$ 185,3 bilhões para R$ 178,8 bilhões. Ou seja, caiu também o montante potencial de consumo das famílias.
Para a consultoria Tendências, a renda média deve ficar praticamente estável em 2017, mas a massa salarial deve registrar mais um ano de queda, em razão da elevada taxa de desocupação.
"Na nossa avaliação, a taxa média de desemprego para 2017 será na casa de 13%", diz Xavier, lembrando que muitas das pessoas que hoje estão no desalento (inativas e sem procurar emprego, portanto fora da conta dos desempregados) pode ser estimulada a voltar a procurar trabalho, o que tende a manter a taxa de desocupação em patamar elevado mesmo em cenário de volta de criação de vagas de trabalho.
"Muito mais grave do que o arrocho salarial é o desemprego. E a dimensão do desemprego é o que puxa a restrição para a reposição salarial", afirma o diretor técnico do Dieese.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

82% dos jovens contribuem para o 'sustento da casa', diz SPC Brasil


O percentual dos que não ajudam chega a 8% dos entrevistados entre 18 e 30 anos. Metade dos jovens (51%) ainda mora com os pais, segundo a pesquisa.

 

Oito em cada 10 jovens brasileiros contribuem financeiramente para o sustento da casa (82%), segundo pesquisa do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) com jovens entre 18 e 30 anos.
De acordo com o levantamento, 29% arcam apenas com uma parte - sem ser os principais responsáveis - e 27% responderam que não são os principais responsáveis pelas despesas. Já os que não ajudam somam 18%, sendo que 11% afirmam que não possuem qualquer responsabilidade sobre as despesas e que têm as contas pagas pelos pais por falta de renda.
A pesquisa ainda aponta que 51% dos jovens moram com os pais, 38% com companheiro ou cônjuge e 4% vivem sozinhos. Do total de jovens entrevistados, 46% estão solteiros, 26% são casados, 23% namoram e 10% "moram junto".

Fonte de renda

Quanto ao tipo de trabalho dos jovens, 44% têm o trabalho com carteira assinada como fonte de renda. Cerca de 25% dos jovens disseram trabalhar informalmente, fazer bicos ou atuar como freelancers para se manter e 10% fazem estágio. Aqueles que recebem ajuda financeira dos pais somam 10% e os que não possuem renda são 8%.

 

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Desemprego fica em 12% no 4º trimestre de 2016 e atinge 12,3 milhões


Essa é a maior taxa da série do indicador, iniciada em 2012.Em 2016, a taxa média de desemprego ficou em 11,5%, depois de atingir 8,5% no ano anterior. 

 

O desemprego seguiu em alta no final do ano passado e subiu para 12% no quartro trimestre, segundo dados divulgados nesta terça-feira (31) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio da pesquisa Pnad Contínua. Esse é o maior índice da série histórica do indicador, iniciada em 2012. No ano de 2016, a taxa média de desocupação ficou em 11,5%.
No trimestre de outubro a dezembro, o Brasil tinha 12,3 milhões de pessoas desocupadas. O número representa um aumento de 2,7% em relação ao trimestre de julho a setembro e de 36% na comparação com o último trimestre de 2015.
Já a população ocupada somou 90,3 milhões de pessoas. Em relação ao trimestre anterior, esse número cresceu 0,5%, mas frente ao quarto trimestre de 2015, caiu 2,1%. 
Desse total, 34 milhões de pessoas que estavam empregadas no setor privada tinham carteira de trabalho assinada. Do terceiro para o quarto trimestre, não houve alteração no contingente, no entanto, recuou quase 4% na comparação com o final do ano anterior.
Com o aumento do desemprego, a categoria dos trabalhadores por conta própria chegou a 22,1 milhões de pessoas, registrando um aumento de 1,3% em relação ao trimestre de julho a setembro, mas caiu 3,4% diante do quarto trimestre de 2015.
Quanto aos trabalhadores domésticos, não houve aumento nem diminuição da quantidade, estabilizada em 6,1 milhões de pessoas.
O desemprego aumentou, mas o rendimento médio dos trabalhadores não subiu nem caiu em relação ao trimestre anterior e ao quarto de 2015, ficando em R$ 2.043.
Em relação ao trimestre de julho a setembro, a categoria dos empregados no setor privado sem carteira viu seu rendimento cair, em média, 3,7%. Na outra ponta está a dos empregados no setor público, cujos rendimentos cresceram 2,2%.
Frente ao ano anterior, os trabalhadores por conta própria tiveram queda de 3,5% no rendimento. De acordo com o IBGE, as outras atividades não tiveram variação significativa.

Taxa média em 2016

Em 2016, a taxa média de desemprego ficou em 11,5%, depois de atingir 8,5% no ano anterior. O número desempregados subiu de 8,6 milhões, na média de 2015, para 11,8 milhões, em 2016 - uma alta de 37%. Por outro lado, a população ocupada caiu de 92,1 milhões de pessoas para 90,4 milhões. O número de empregados com carteira assinada no setor privado recuou caiu 3,9%, chegando a 34,3 milhões em 2016.
O rendimento médio recuou 2,3%: de R$ 2.076 em 2015 para R$ 2.029, no ano seguinte.
De acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), apresentados no final de janeiro, a economia brasileira voltou a fechar um grande número de postos de trabalho com carteira assinada em 2016, ano ainda marcado pela forte recessão que atinge o país. No ano passado, as demissões superaram as contratações em 1,32 milhão de vagas formais.

 

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Redução do calote de pessoas físicas não impede alta dos juros em 2016


Taxa de inadimplência teve uma sensível queda, mas não foi suficiente para segurar avanço nos juros do crédito em meio à piora do desemprego e recessão.

 

Mesmo com uma sensível queda da taxa de inadimplência entre as pessoas físicas no ano passado, os juros médios cobrados pelos bancos e financeiras não pararam de subir em 2016. A inadimplência elevada no Brasil era apontada como uma das causas para o encarecimento do crédito no Brasil. Para economistas, a redução do percentual de dívidas em atraso não mudou a percepção de alto risco agravada pelo desemprego e pela crise econômica.
O nível de inadimplência entre pessoas físicas com recursos livres (que excluem crédito imobiliário, rural e o BNDES) recuou 0,3 ponto percentual (p.p.) no fechamento de 2016, para 6,05% – enquanto o atraso nas dívidas das empresas continuou em alta.
Nesse período, as taxas de juros médias cobradas das pessoas físicas em 2016, também com recursos livres (sem subsídios ou taxas reguladas) saltaram 7,78 pontos percentuais, para 71,46%, segundo dados do Banco Central. A trajetória de alta se manteve até novembro, após o primeiro corte da taxa básica de juros (Selic) em quatro anos.
O nível de calotes e a taxa básica de juros, a Selic (importante balizador do custo do crédito), servem como termômetros para os bancos decidirem quanto vão cobrar de juros nos financiamentos e empréstimos. Quanto menor o risco de crédito (inadimplência), maior a tendência de queda dos juros no mercado.

Renegociação de dívidas pesou

Para o economista-chefe da Acrefi (Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento), Nicola Tingas, a leve queda da inadimplência de pessoas físicas em 2016 tem relação com um esforço maior para renegociar as dívidas.
“Foi um ano de muitos mutirões de renegociação para limpar o nome. Desde o final de 2015 observamos um movimento maior da parte de cobrança para refinanciar dívidas dos consumidores, inclusive por parte dos bancos”, afirma o economista.
"Desde o final de 2015 observamos um movimento maior da parte de cobrança para refinanciar dívidas dos consumidores, inclusive por parte dos bancos”.
Apesar da menor procura por financiamentos de longo prazo, como o de automóveis e eletrodomésticos, Tingas observa que houve uma demanda mais elevada por liquidez nas linhas de crédito emergenciais como o cheque especial e o cartão de crédito.
Essas modalidades, recomendadas para giro rápido de dinheiro no curtíssimo prazo, bateram recordes sucessivos de alta dos juros em 2016, pelo grande risco de descontrole no pagamento. “A inadimplência nessas linhas é altíssima e o risco subiu muito por conta dessa procura maior”, avalia o economista da Acrefi.
Na avaliação da economista-chefe do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), Marcela Kawauti, a queda da inadimplência foi muito inexpressiva no contexto de inédita retração da oferta de crédito. Com o aumento do desemprego, o saldo total do crédito bancário teve o primeiro recuo da série histórica do Banco Central, que começou em 2007. A queda foi de 3,5%, para R$ 3,1 trilhões.
“Apesar da melhora da expectativa para a economia, da confiança e da inflação, os bancos ainda projetam um cenário de alto risco para a inadimplência em função da demora para uma reação. O desemprego ainda deve subir antes de começar a cair com a retomada da produção”, avalia Marcela.

Perspectiva de queda dos juros

Desde outubro, o BC reduziu a taxa Selic por três vezes seguidas. Na última elevação, os juros básicos sofreram um corte mais brusco, de 0,75 ponto percentual, passando a 13% ao ano. Logo após a decisão do Copom, vários bancos anunciaram a redução dos juros em algumas linhas de crédito.
Segundo Marcela, economista-chefe do SPC, a queda dos juros bancários em dezembro já reflete o ciclo de corte da Selic, mas de forma bem modesta. Em dezembro, as taxas com recursos livres para pessoas físicas e jurídicas recuaram 2 pontos percentuais, para 52% ao ano, contra 54% ao ano em novembro, mas recuaram no acumulado de 2016.
“Uma queda mais acentuada [dos juros] só vai aparecer depois que o desemprego efetivamente cair”.
Para os economistas, é natural que o efeito da Selic mais baixa demore a aparecer no custo do crédito. “Devemos ver quedas pequenas no começo deste ano como as vistas em dezembro”, prevê Marcela. “Uma queda mais acentuada só vai aparecer depois que o desemprego efetivamente cair”, acrescenta.
Para Tingas, da Acrefi, mesmo com um cenário mais favorável à futura redução dos juros, é cedo para prever quando as taxas começarão a cair. “Nos próximos meses esse processo de ajuste da inadimplência e da curva de juros medida pelo BC vai ficar mais nítido”, avalia.
 

sábado, 21 de janeiro de 2017

Heineken comprará Brasil Kirin por US$ 870 milhões, diz jornal


Brasil Kirin foi criada em 2012 após a compra da Schincariol pela japonesa Kirin Holdings Company.

A japonesa Kirin Holdings chegou a um acordo com a holandesa Heineken para vender suas operações no Brasil por cerca de 100 bilhões de ienes (US$ 870 milhões), segundo reportagem do jornal japonês Nikkei.
De acordo com a reportagem, Kirin Holdings vai vender ainda este ano a Brasil Kirin – que fabrica a Schin – saindo do mercado brasileiro, com o negócio perdendo efervescência numa economia estagnada.
Procurada pelo G1, a Heineken não comentou o assunto e a Brasil Kirin não retornou as ligações.
A Brasil Kirin foi criada em 2012 após a compra da Schincariol pela Kirin Holdings Company em 2011. A empresa possui 12 empresas em 10 estados do país. O portfólio de bebidas inclui cervejas, refrigerantes, sucos, energéticos e águas das marcas Schin, Devassa, Baden Baden, Eisenbahn, Cintra, Glacial, Água Schin, Fibz, ECCO, Itubaína, Skinka e Viva Schin.

 

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Grandes petroleiras voltam a buscar aquisições após melhoria no cenário


Desde o final de novembro, as principais companhias petrolíferas anunciaram 11 negócios no valor de mais de 500 milhões de dólares cada.

 

As maiores companhias de petróleo do mundo voltaram a buscar aquisições, mirando principalmente pequenas empresas de exploração e desenvolvimento que possam aumentar suas reservas de petróleo e gás, ao invés das megafusões que se seguiram à queda dos preços do petróleo.
Desde o final de novembro, as principais companhias petrolíferas anunciaram 11 negócios no valor de mais de 500 milhões de dólares cada, com um valor combinado de 31 bilhões de dólares, em um claro sinal de que os executivos do setor estão mais confiantes de que uma recuperação está em andamento.
Quando os preços do petróleo entraram em colapso no segundo semestre de 2014, as grandes empresas petrolíferas cortaram investimentos em exploração e produção e desfizeram-se de ativos para reduzir a dívida e lidar melhor com a menor receita proveniente das vendas de petróleo e gás.
Mas com os reservatórios de petróleo em declínio a uma taxa de 10% por ano, em alguns casos, as grandes empresas de petróleo agora buscam ativos voltar a crescer. Ao mesmo tempo, há uma série de empresas menores endividadas e em busca de investidores.
As aquisições totais de campos de petróleo e gás triplicaram para 31 bilhões de dólares em dezembro ante o mês anterior, quando a Organização dos Países Exportadores de Petróleo concordou em cortar a produção pela primeira vez em oito anos, de acordo com dados da consultoria Energy Market Square.
Os negócios no último mês de 2016 representaram sozinhos quase um quarto da atividade total ao longo do ano.
"Quando você corta investimentos, e dois anos e meio depois vê a produção declinando e as reservas se esgotando, só há uma escolha, que é ir atrás de recursos de alta qualidade", disse o co-gerente da Guinness Global Oil and Gas Exploration Trust, Sachin Oza. "Se você não gastou seu tempo com essas oportunidades...você só tem uma opção: tem que comprá-las", disse.

 

domingo, 15 de janeiro de 2017

Odebrecht pagará US$32 mi em acordo com Ministério Público da Colômbia


Empresa já fechou acordos com governos de EUA, Brasil e Suíça e está em negociação com outros países da América Latina.

 

A Odebrecht ofereceu pagar US$ 32 milhões ao governo da Colômbia como parte da colaboração nas investigações abertas sobre pagamento de suborno para conseguir obras no país, afirmou o Ministério Público local em seu site.
"A Odebrecht solicitou um princípio de acordo ao gabinete do Procurador-Geral, a fim de colaborar no processo e obter imunidade no sistema acusatório", afirma trecho do documento.
"A acusação, de acordo com a lei, condicionou sua concessão ao pagamento de uma indenização integral do dano causado à administração pública na Colômbia por estes eventos, estimada em 32 milhões de dólares, o que foi aceito", acrescenta o comunicado, informando que o acordo foi feito na véspera.
A empresa está negociando com diversos países acordos para encerrar as investigações sobre pagamentos de propina para obtenção de contratos. Veja os desdobramentos dos acordos em discussão.
A Odebrecht aceitou pagar US$ 59 milhões ao governo do Panamá como parte de negociações com a Procuradoria-Geral do país, que também investiga a empreiteira por pagamento de subornos a autoridades locais.
A companhia também havia fechado acordo com o Peru na semana passada, aceitando pagar inicialmente US$ 8,9 milhões e dar informação sobre pagamento de suborno, também para ganhar licitações de obras.
A empresa, um dos principais alvos da operação Lava Jato no Brasil, fechou acordo em dezembro com o Ministério Público Federal, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos e com a Procuradoria-Geral da Suíça para pagar US$ 3,83 bilhões para por fim à investigações sobre seu envolvimento em atos ilícitos em 12 países.
A Odebrecht disse, em comunicado, que vem cooperando com autoridades brasileiras e estrangeiras para o avanço de investigações. " A extensa colaboração promovida demonstra o seu entendimento por uma necessária mudança de postura na relação entre entes públicos e privados. A empresa vem adotando as medidas necessárias para aprimorar seu compromisso com práticas empresariais éticas e de promoção da transparência em todas as suas ações, com o objetivo de virar a página e evoluir continuamente."

 

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Trabalhadores com mais de 65 anos ocupam menos de 1% das vagas formais


Proposta de reforma da Previdência prevê que brasileiro trabalhe além dos 65 anos para obter aposentadoria integral; em 2015, havia 137,6 mil trabalhadores com essa faixa etária, de um total de 48 milhões de pessoas.

 

Se a proposta de reforma da Previdência do governo federal for aprovada, a maioria dos brasileiros terá que trabalhar além dos 65 anos para conseguir a aposentadoria integral e manter seu padrão de vida na terceira idade. Quem optar por esse caminho, vai esbarrar em um número limitado de vagas formais para os idosos no mercado de trabalho brasileiro.
Estimativas do IBGE apontam que cerca de 16 milhões de pessoas com mais de 65 anos fazem parte da população brasileira. No entanto, apenas 137,6 mil deles ocupam vagas formais no mercado de trabalho, de acordo com dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) de 2015. Esse grupo representa apenas 0,3% dos 48 milhões de trabalhadores formais na economia brasileira em 2015.
Além dos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que englobam os trabalhadores celetistas (regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho, CLT), os números da Rais também incluem os servidores públicos federais, estaduais e municipais, além de trabalhadores temporários.
De acordo com os dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) de 2015, dos 5.570 municípios do país, 906 não tinham nenhum trabalhador com essa idade. A maior parte dos municípios (4.234) tinham, cada um, menos de 50 trabalhadores com 65 anos ou mais.
Entre as cidades com trabalhadores acima de 65 anos, aquela que tem mais pessoas nessa condição é São Paulo (15.756), seguida por Rio de Janeiro (10.935), Belo Horizonte (3.652), Brasília (3.508), Fortaleza (3.116), Salvador (3.072), Porto Alegre (3.011), Curitiba (2.957), Recife (2.873) e Belém (1.897).

 

Reforma da Previdência

O governo federal apresentou no início de dezembro uma proposta para a reforma da Previdência Social. Uma das principais mudanças é a criação de uma idade mínima de aposentadoria, de 65 anos, para homens e mulheres. Essa regra inviabilizaria que trabalhadores mais jovens se aposentassem por tempo de contribuição, como ocorre atualmente.
A proposta também muda o cálculo do benefício do aposentado. Para conseguir a aposentadoria integral, o trabalhador deveria contribuir por 49 anos. Ou seja, apenas aqueles que começaram a trabalhar com 16 anos teriam aposentadoria integral ao se aposentar com a idade mínima.
A proposta está em tramitação no Congresso Nacional e ainda pode sofrer modificações antes de entrar em vigor.
Veja calculadora do G1 que estima idade de aposentadoria se nova regra entrar em vigor. 

Idosos na economia informal

De acordo com a pesquisadora do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Ana Amélia Camarano, o número de idosos com mais de 65 anos trabalhando sobe quando se considera também o mercado informal.
Citando dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad), do IBGE, ela informou que havia cerca de 2,82 milhões de trabalhadores com mais de 65 anos no país em 2014 – enquanto que a população economicamente ativa somava mais de 100 milhões de pessoas.
"As pessoas se aposentam mais cedo. Aqui no Brasil, a legislação permite que as pessoas se aposentem cedo e continuem trabalhando. Provavelmente, muitos dos que voltaram a trabalhar estão nas atividades informais", avaliou a pesquisadora. Segundo ela, muitos trabalhadores com mais de 65 anos atuam no setor de serviços ou na agricultura.
A pesquisadora defende a necessidade de se fazer uma reforma da Previdência no país, com aumento da idade mínima, mas avaliou que é necessário oferecer um "pacote mais completo" para a população, englobando também medidas de saúde e de capacitação de idosos para o mercado de trabalho.
"Hoje se fala muito em requalificação continuada com essa mudança tecnológica. Seria importante o Ministério do Trabalho oferecer medidas de capacitação e dar algum incentivo para que as empresas empreguem o trabalhador mais velho", concluiu ela.
Para o secretário de Finanças da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Quintino Severo, esses números mostram a "realidade do Brasil", onde os trabalhadores ingressam muito cedo no mercado de trabalho.
De acordo com Severo, os empregadores são "preconceituosos". "Um trabalhador acima de 45, 50 anos não consegue voltar para o mercado de trabalho, que é altamente rotativo. Há uma resistência por parte dos empregadores em contratar pessoas com mais idade, assim como os planos de Saúde [em aceitar pessoas com mais idade]. É por isso que o mercado de trabalho exige pessoas jovens e, ao mesmo tempo, com experiência, [o que é] uma contradição. Isso vai cada vez mais dificultando a vida de quem tem mais idade", declarou.
"A CUT é contrária a ter idade mínima para aposentadoria. Defendemos a lógica do tempo de contribuição, de 30 anos para mulher e 35 para homem, como está hoje", afirmou ele.

Empresas terão de se adaptar

Segundo Celso Bazzola, especialista em Recursos Humanos e diretor da consultoria de RH BAZZ, o mercado de trabalho mudou muito nos últimos anos. "Até 2007, 2008 havia uma tendência maior de não absorver mão de obra com uma maior idade, mas as empresas vêm percebendo que a experiência é importante. Isso já está mudando nos últimos anos", afirmou Bazzola.
Para ele, com a possibilidade de mudança nas regras de aposentadoria, com a instituição de uma idade mínima de 65 anos, conforme a proposta do governo, o mercado de trabalho, principalmente, as empresas, terão de começar a analisar a integração de profissionais mais experientes nos seus quadros profissionais.
"Vai ser algo bastante gradativo e muito pontual [o aumento da contratação de pessoas com mais idade]. Vai crescendo conforme acontece em outros países já", avaliou Bazzola.
Segundo o especialista em recursos humanos, os profissionais com mais idade tendem a atuar como "tutores" para os mais jovens, em escolas, cursos universitários, "coaching", e engenharia por exemplo. "Existe uma absorção interessante acima de 45 anos [nessas áreas]."
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